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Brasil: Tatu que inspirou mascote da Copa está em perigo
30 de Junho de 2014

O animal que inspirou o Fuleco, mascote oficial da Copa do Mundo do Brasil, entrará na lista de animais em perigo de extinção. Até o final do ano, a espécie passará de "vulnerável" para "criticamente ameaçada", último nível antes de entrar em processo de extinção da natureza, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

 

A mudança ocorre após cientistas calcularem que entre 2002 e 2012 houve redução de 30 por cento do total de exemplares desta espécie, distribuídos entre os biomas Caatinga e Cerrado.

 

A espécie foi escolhida pela Fifa para ser a mascote oficial da Copa do Mundo de 2014, batizado de Fuleco. O nome, escolhido pelo público, mistura as palavras futebol + ecologia. Porém, segundo organizações ambientais, a intenção inicial Fifa de promover a preservação da espécie ao torná-la um dos símbolos da Copa teria sido deixada de lado.

 

“Houve muitas críticas sobre a exploração comercial do tatu-bola sem nenhum retorno para conservação da espécie. Não é justo para a sociedade brasileira”, disse Rodrigo Castro, secretário-executivo da Associação Caatinga, organização não-governamental que sugeriu a escolha desse tatu para mascote.

 

Segundo Castro, a contribuição da Fifa para a conservação do animal tem se revelado pífia. Foram mais de 16 meses de discussão sobre formas diferentes do tatu-bola se beneficiar com o sucesso da imagem do Fuleco.

 

Surgiram propostas diferentes de como a entidade poderia ajudar, como atrelar parte das vendas dos bonecos para a conservação do mamífero. Na loja online oficial da Fifa, o preço do boneco do Fuleco varia de R$ 32,90 a R$ 179,90.

 

"Outro jeito era usar o Fuleco para informar as pessoas sobre sua condição de risco ou destinar partes dos recursos da utilização da imagem do mascote em camisetas, bonés e outros produtos, mas nada ocorreu", conta Rodrigo.

 

Depois de meses de negociação e um período de silêncio, às vésperas da abertura do evento veio a primeira proposta concreta da Fifa, uma doação de US$ 300 mil dólares (cerca de 650 mil reais). A Ong recusou a investida, por considerá-la insuficiente para executar com eficiência o Plano de Conservação do tatu-bola.

 

Para fazer diferença na luta de conservação, seria necessário pelo menos 15 por cento (US$ 1,4 milhão) do valor total do projeto, que tem duração de 10 anos, segundo o biólogo.

 

A negociação continua: "Nós esperamos que ao término do evento, a Fifa faça um balanço da Copa e avalie quanto o Fuleco e a Copa renderam e o que o tatu-bola merece por isso. Quem está por trás do Fuleco é uma espécie real e agonizante que precisa de ajuda", defende Rodrigo Castro.

 

A Fifa informou um valor muito maior na implementação da Estratégia de Sustentabilidade da Copa do Mundo no Brasil, que incluem ações sociais e ambientais. “Devido ao grande número de solicitações de instituições ligadas ao desenvolvimento social e à proteção ambiental” que a Fifa recebe em conexão com a Copa do Mundo, “esses recursos serão destinados a um projeto diferente relacionado a mudanças climáticas no Brasil”.

 

O tatu-bola só pode ser encontrado no Brasil e é a menor e menos conhecida das espécies de tatu do país. O animal vive apenas em áreas de Caatinga e Cerrado, e se nada for feito para a conservação da espécie, em até 50 anos, o tatu-bola poderá estar extinto da natureza.



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