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Brasil: Novo Beato era uma "arca de caridade"
17 de Novembro de 2015

Forte e humilde ao mesmo tempo. Com essas palavras, o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, ressaltou as duas virtudes que se sobressaem na vida do Pe. Francisco de Paula Victor, o sacerdote mineiro afrodescendente que este sábado, 14 de Novembro, foi beatificado em Três Pontas, Minas Gerais.

 

Tendo vivido entre os anos 1827 e 1905, Pe. Victor tornou-se o primeiro padre ex-escravo do Brasil.

 

Presidindo o rito, como representante do Papa Francisco, o Cardeal Amato recordou que alguns com desprezo chamavam-no de “pretinho” e não lhe poupavam humilhações “pelo facto de ser de descendência africana”.

 

Efetivamente, “tinham preconceitos raciais contra ele. Mas foram sucessivamente conquistados pela sua modéstia, bondade e simpatia”.

 

O purpurado traçou algumas característica da personalidade do Pe. Victor, que era “de ânimo nobre. Não se deixou envolver pela mentalidade elitista dos sacerdotes, mas cultivou a virtude da humildade e da simplicidade”.

 

Foi um pároco generoso e dinâmico, ressaltou o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, recordando que “assegurava sempre a santa missa, celebrada no domingo com grande solenidade e com a participação de notáveis pregadores”.

 

No entanto, Pe. Victor “jamais subiu ao púlpito, mas foi muito ativo na catequese e na administração dos sacramentos”. O mês em honra a Nossa Senhora foi introduzido por ele.

 

Pe. Victor percorreu a cavalo “as áreas rurais para levar conforto espiritual aos que se encontravam nas regiões mais remotas”.

 

Também as cifras evidenciam essa sua intensa atividade pastoral: entre 1852 e 1905, ano da sua morte, administrou o sacramento do Batismo a 8.790 recém-nascidos de brancos e a 383 filhos de escravos.

 

O Cardeal Amato frisou que todos reconheciam nele “um homem de Deus, repleto dos dons do Espírito Santo. Seu zelo apostólico não conhecia limites”. O novo beato foi particularmente atento em favorecer a educação sobretudo aos jovens menos favorecidos. Para tal fundou uma escola gratuita em sua paróquia.

 

“Era generoso e dava aos necessitados os presentes e as ofertas que recebia. Beneficiava inclusive aqueles que no início o havia desprezado”, disse o purpurado.

 

Por isso, seus paroquianos, cerca de vinte anos após sua morte, “colocaram uma lápide em sua homenagem intitulada ao “Anjo Tutelar” dos três pontanos, com a escrita: “Sua vida foi um Evangelho. Sua memória, a consagração eterna de um exemplo vivo. Homenagem ao valor e à virtude”.

 

Quando morreu, um jornalista escreveu que Pe. Victor era “uma arca de caridade e a sua vida foi um faixo de luz, porque ensinava aos ricos a ser misericordiosos e aos pobres a ser pacientes “, recordou o cardeal prefeito.

 

Morreu muito pobre: na realidade, concluiu o purpurado, ele “nasceu para o Evangelho e viveu para o povo”.

 

A Igreja no Brasil celebrará sua festa litúrgica em 23 de setembro.



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