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África: Conferência sobre usurpação de terras
27 de Novembro de 2015

O açambarcamento de terras e a boa governação foram os temas que estiveram no centro das reflecções feitas durante a Conferência pan-africana (Continental Conference on Land Grab and Just Governance) que decorreu de 22 a 26 de Novembro, em Nairobi, no Quénia.

 

A Conferência, organizada pelos SECAM, CIDSE, AFJN e AEFJN, verificou o estado da apropriação de terras, em África, analisou alguns casos de resistência em todo o continente, e destacou o envolvimento e as respostas da Igreja na luta contra esta ameaça.

 

“Vim a convite da organização, representando a Diocese de Nacala, para apresentar em uma das sessões o caso de resistência da comunidade de Nacololo. A partilha das diversas realidades dos diferentes países foi muito enriquecedora. Podemos confirmar que as práticas, a lógica e a estratégia utilizadas pelos investidores, governantes e líderes tradicionais são muito parecidas nos vários países africanos”, disse Flávio Schmidt, leigo comboniano, que trabalha em Moçambique.

 

A apropriação de terras é um problema grave em toda a África, que requer atenção urgente uma vez que ameaça a subsistência e a segurança alimentar. Já originou centenas de milhares de pessoas deslocadas das suas terras, privando-as do acesso aos recursos naturais e ameaçando os seus meios de subsistência.

 

A conferência teve lugar antes da visita do Papa Francisco ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana. O Papa já manifestou grande preocupação com a questão da usurpação de terras. No discurso proferido na FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU) em Roma em Junho de 2015. O Papa advertiu contra a "monopolização de terras de cultivo por parte das empresas e estados transnacionais, que não só priva os agricultores de um bem essencial, mas que afecta directamente a soberania dos países". O Santo Padre destacou ainda que "Há já muitas regiões em que os alimentos produzidos vão para países estrangeiros e a população local é duplamente pobre, porque não tem nem comida nem terra".



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