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Sudão do Sul: Presidente Kiir forma governo de transição
29 de Abril de 2016

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, formou o seu governo de transição, dividindo o poder com os ex-rebeldes, segundo um decreto divulgado nesta sexta-feira, 29 de abril. Esta é uma etapa crucial num processo de paz.

 

Segundo os termos de um acordo de paz assinado a 26 de outubro de 2015, os 30 cargos de ministros são partilhados entre o campo de Kiir e o campo do rebelde tornado vice-presidente, Riek Machar, assim como outros partidos, nomeadamente, da oposição.

 

O decreto de Kiir para nomeação dos ministros do governo de união nacional de transição foi divulgado na rádio governamental três dias após o regresso de Riek Machar a Juba e a sua tomada de posse como vice-presidente, como previsto no acordo de agosto de 2015.

 

Riek Machar já havia ocupado anteriormente o cargo de vice-presidente entre julho de 2011 a julho de 2013, mas foi demitido das funções por Salva Kiir que o acusou de conspiração.

 

Machar não voltou a colocar os pés na capital, desde o início do conflito em dezembro de 2013, que fez dezenas de milhares de mortos e mais de 2, 3 milhões de deslocados.

 

Fiéis a Kiir, Kuol Manyang e David Deng Athorbei continuam ministros da Defesa e das Finanças, respectivamente.

 

Athorbei terá uma tarefa árdua para reconstruir uma economia em ruínas depois de dois anos de conflito mortífero.

 

A pasta de ministro de Petróleo, quase única fonte de receita do país, foi atribuída por acordo à Dak Duop Bichok, um antigo rebelde.

 

Ao passo que o cargo de Negócios Estrangeiros foi atribuído para Deng Alor, que já tinha ocupado este posto no seio do Sudão unificado.

 

O Sudão do Sul obteve a sua independência em 2011. Alor é um dos antigos prisioneiros, de um grupo de líderes influentes presos no começo do conflito, posteriormente, soltos devido as pressões internacionais.

 

Lam Akol, um líder da oposição independente da rebelião, tornou-se ministro da Agricultura e da Segurança Alimentar, um cargo chave numa altura em que cinco milhões de sul-sudaneses necessitam de ajuda alimentar e algumas zonas do país estão à beira da fome.

 

Apesar dos progressos alcançados, ultimamente, com o regresso de Machar a Juba, uma cooperação frutífera no seio do governo é longe ser obtida.

 

 A animosidade entre os campos de Kiir e Machar continua profunda numa altura em que as suas forças armadas coabitam na capital.

 

Apesar do acordo de paz, os combates continuam ainda a opor os grupos armados aos interesses muitas vezes locais e que não se consideram submetidos aos acordos escritos.



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