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Sudão do Sul: O tempo da guerra acabou
17 de Maio de 2016

“O tempo da guerra acabou. Cada sul-sudanês deve contribuir para uma paz verdadeira e uma reconciliação duradoura”, anunciava a Comissão Nacional para a Cura, Reconciliação e Paz (Cnhpr) do Sudão do Sul.

 

Em nota publicada há alguns dias, a Comissão saudou “com satisfação” a formação do novo Governo de Unidade Nacional (Tgonu), liderado pelo Presidente Salva Kiir e o líder rebelde Riek Machar, que deve pôr fim a dois anos e meio de guerra civil. A nova coalizão foi formada no fim de abril com a tarefa de conduzir o país a eleições dentro de 30 meses.

 

A Comissão, presidida pelo Primaz anglicano Daniel Deng, exprime as suas felicitações aos dois líderes rivais e aos outros membros do novo Executivo, cuja formação, depois de numerosos atrasos, acusações recíprocas e oportunidades perdidas, parece ser um primeiro sinal concreto da sua vontade de empenhar-se seriamente na implementação dos acordos de paz, assinados em agosto de 2015.

 

"O Tgonu - afirma o arcebispo - será o primeiro teste para os nossos políticos e para todos os sul-sudaneses, e que vai demonstrar se podemos conviver juntos e colaborar para o bem comum do nosso País" e "uma oportunidade para renovar a nossa imagem aos olhos de Deus e da comunidade internacional".

 

No comunicado o Rev.do Deng exorta o novo Executivo a ocupar-se antes de tudo da repatriação e o retorno seguro dos deslocados às suas casas. Em seguida, lança um apelo a todos os cidadãos do Sudão do Sul para apoiarem o novo Governo "para que ele possa trazer mudança depois de anos de sofrimento” e “desistir de todos os discursos que incitam à violência”: “Temos uma responsabilidade colectiva de defender esta paz para que este país possa viver em harmonia”.

 

A formação do Governo de unidade nacional no Sudão do Sul marca a abertura de um novo capítulo na breve história do mais jovem Estado africano, martirizado por uma guerra que começou em dezembro de 2013 e causou milhares de mortos, dois milhões de deslocados e acusações de crimes contra a humanidade contra as duas formações principais em luta – os militantes do grupo étnico Dinka, leais ao Presidente Salva Kiir, e o exército regular da etnia Nuer, liderado por Riek Machar – : do recrutamento de crianças-soldado à violação sistemática como instrumento de guerra e os massacres de civis indefesos.



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