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Mundo: 185 indígenas e ativistas assassinados em 2015
21 de Junho de 2016

Em 2015, foram assassinados 185 indígenas e ativistas ambientais por todo o mundo. Um aumento de 60 por cento comparado às mortes em 2014. Os dados são da ONG Global Witness.

 

O número é o maior registado desde que a ONG começou a acompanhar, em 2012, este tipo de violência em todo o mundo. Um número que pode ser muito maior, sendo que muitas mortes não são registadas.

 

O Brasil (50) e as Filipinas (33) contabilizaram aproximadamente 45 por cento dos assassinatos. A Colômbia (26) completa o top três de países mais perigosos para indígenas e ativistas ambientais.

 

Mais de 40 assassinatos estavam relacionados com explorações mineiras, segundo o relatório.

 

Disputas em relação aos negócios agrícolas, exploração madeireira e projetos de barragens também causaram várias mortes.

 

"As comunidades que tomam uma posição estão a encontrar-se cada vez mais na linha de fogo da segurança privada das empresas, das forças de estado e de um mercado próspero para assassinos contratados", disse o líder da campanha da Global Witness, Billy Kyte, num comunicado.

 

"Os governos devem intervir urgentemente para parar esta espiral de violência", continuou.

 

Os indígenas (cerca de 40% das vítimas) são alvos frequentes de quem se apropria de terras e recursos, normalmente em conluio com autoridades locais oficiais, disse.

 

Na zona de Mindanao, nas Filipinas, habitada pelo povo Lumad, por exemplo, houve 25 mortes só no último ano, o maior número de mortes de todas as regiões vigiadas.

 

A terra dos Lumad é rica em carvão, níquel e ouro.

 

O pai e o avô do ativista filipino Michelle Campos foram assassinados em público por se oporem à exploração mineira, relatou a Global Witness.

 

"Nós conhecemos os assassinos - eles ainda estão à solta na nossa comunidade", disse Campos, que escapou ao ataque, num comunicado.

 

No Brasil, disse a ONG, a luta para salvar a Amazónia está "cada vez mais uma luta contra gangues criminais que aterrorizam as populações locais a mando de empresas madeireiras e de autoridades que eles subornaram".

 

Milhares de campos de exploração madeireira não autorizados estão dispersos por toda a bacia da amazónia brasileira, onde madeiras preciosas são cortadas e preparadas para exportação.

 

Um relatório de 2014, do Instituto Real dos Assuntos Estrangeiros - Catham House -, estima que 80 por cento da madeira que vem do Brasil é ilegal, cerca de um quarto da madeira ilegal no mercado mundial.

 

"Os assassinatos que estão por punir nas aldeias mineiras remotas e na floresta tropical profunda são encorajados pelas escolhas que os consumidores fazem do outro lado do mundo", disse Kyte.

 

Os principais mercados de madeiras preciosas são os Estados Unidos da América, a China e a União Europeia.

 

No início de março deste ano, dois homens encapuzados mataram a tiro a ativista indígena Berta Caceres, que recebeu um prémio de prestígio internacional e ambiental por lutar contra um projeto de uma barragem nas Honduras.

 

Na última semana, cerca de 500 indígenas do povo Lenca fizeram um protesto na capital das Honduras, Tegucigalpa, para exigir uma investigação internacional sobre o assassinato.

 

Uma das cinco pessoas detidas pela morte de Caceres é um alto-funcionário da Desarrollos Energeticos (DESA), uma empresa de eletricidade envolvida na construção da barragem hidroelétrica contra a qual ela protestou.

 

Na passada semana, no Brasil, um índio foi morto e outros 5 foram feridos por fazendeiros armados.



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